As pessoas sempre tiveram a mania de atribuir um determinado dia para tudo, até para as coisas mais insignificantes. Hoje, dia um de Abril, comemora-se o famoso Dia das Mentiras, que, na minha opinião, deveria extinguir-se e dar lugar ao Dia das Verdades, porque mentiras ouvimos nós o ano inteiro.
Os políticos dizem e depois afirmam que não disseram, uma espécie de falácia do espantalho; as mães perguntam aos filhos se receberam algum teste e a resposta é não, o que não sabem é que o teste negativo está bem escondidinho; Professora: Leram os “Maias”, resposta dos alunos: siiim; o filho único para o pai: Não fui eu que risquei a parede do quarto; os criminosos dizem-se inocentes; “O preço da gasolina vai baixar”, o certo é que amanhã sobe dois cêntimos; …
Não é preciso ser dia um de Abril para ouvirmos mentiras, um amigo diz diariamente ao outro que tem os cordões desapertados e coisas do género, os políticos mentem todos os dias e não só no primeiro de Abril. Por tudo isto, acho que haveria muita mais lógica se existisse o Dia das Verdades (mas quem sou eu para achar uma coisa destas?). Era interessante existir um dia em que ninguém dissesse uma única aldrabice.
Ricardo Amorim
