domingo, 1 de abril de 2012

Dia das Verdades?

As pessoas sempre tiveram a mania de atribuir um determinado dia para tudo, até para as coisas mais insignificantes. Hoje, dia um de Abril, comemora-se o famoso Dia das Mentiras, que, na minha opinião, deveria extinguir-se e dar lugar ao Dia das Verdades, porque mentiras ouvimos nós o ano inteiro.
            Os políticos dizem e depois afirmam que não disseram, uma espécie de falácia do espantalho; as mães perguntam aos filhos se receberam algum teste e a resposta é não, o que não sabem é que o teste negativo está bem escondidinho; Professora: Leram os “Maias”, resposta dos alunos: siiim; o filho único para o pai: Não fui eu que risquei a parede do quarto; os criminosos dizem-se inocentes; “O preço da gasolina vai baixar”, o certo é que amanhã sobe dois cêntimos; …
            Não é preciso ser dia um de Abril para ouvirmos mentiras, um amigo diz diariamente ao outro que tem os cordões desapertados e coisas do género, os políticos mentem todos os dias e não só no primeiro de Abril. Por tudo isto, acho que haveria muita mais lógica se existisse o Dia das Verdades (mas quem sou eu para achar uma coisa destas?). Era interessante existir um dia em que ninguém dissesse uma única aldrabice.

Ricardo Amorim

sexta-feira, 23 de março de 2012

Freguesias Sim!

Num dia desta semana, na caixa de correio encontrei um panfleto com o qual concordei plenamente, intitulava-se “Freguesias Sim!” e seguia-se do texto:

“As freguesias, com o 25 de Abril, tiveram e têm um papel importante no desenvolvimento local e do país, em todas as vertentes sociais, económicas, políticas e culturais.
A proximidade à população promove a participação popular na resolução dos seus problemas e contribui para uma melhor decisão política de encontro às reais necessidades locais.
O fim da nossa freguesia confirma a política de retirada de serviços públicos essenciais. Muitos dos apoios dados às crianças e aos idosos estão em causa com o fim da freguesia.
A nossa freguesia é essencial para a promoção do nosso bem-estar, já nos fecharam escolas, já nos fecharam serviços de saúde, correios, transportes, etc…
A este Governo manifestamos a nossa vontade:
Não aceitamos que acabem com a nossa freguesia, que acabem com a nossa terra;
O concelho de Barcelos tem 89 freguesias, é o maior do país, e assim deve permanecer;
Queremos decidir sobre o nosso futuro.”

            Estou totalmente de acordo com este texto, é uma estupidez quererem extinguir freguesias, ao fazerem isto estão a amputar entidades culturais e tradicionais, os destinos das freguesias passam para as mãos de desconhecidos, a ligação de proximidade entre cidadãos e presidente da junta deixa de existir…
            É preciso defender aquilo que é nosso, não nos podemos deixar iludir.

Ricardo Amorim

sábado, 17 de março de 2012

toca a todos

              Cada vez mais, e de forma abusiva, a crise toca a todos- é genérico, universal, patético! Mas, quando decidi escrever este poste não foi com o intuito de generalizar a crise, mas particularizar para um setor que, de todo, me deixa um tanto confusa - a televisão, mais precisamente a SIC, Sociedade Independente de comunicação. E, uma vez que é independente, isto é, que não "depende" do Estado, não deveria ela estar bem na vida?!
              O raciocino é este: se estamos em crise, as pessoas saem menos à rua para não serem tentadas a gastar dinheiro à toa, logo têm mais tempo para verem televisão, para verem a SIC. Então, se estamos mais tempo a ver a SIC estamos a dar-lhe audiências, ou seja, lucro.
             Mas, pelos vistos, em vez de o Sr Francisco Pinto Balsemão apostar em novas iniciativas, em novos programas, não. Ele usa a vida mais fácil e aquela onde se gasta menos dinheiro, que é coisa que lhe falta, só pode! Ele aposta em quê, afinal? Na repetição de novelas e na repetição de séries. Dou exemplos, "perfeito coração", dá de segunda à sexta no fim do "primeiro Jornal". "Rebelde Way" dá aos sábados e domingos, pela manhã. E a futura «aposta» da SIC será a "Floribella 2".
            E porque não, apostar em NOVAS coisas?! Seria muito mais atrativo.
Rita Pereira

sexta-feira, 16 de março de 2012

Não Percebo

Hoje, enquanto almoçava, ouvi uma notícia na qual não conseguia acreditar (não, não eram novos aumentos nem coisas do géneros). O jornalista disse o seguinte: “Na Indonésia, uma criança com apenas oito anos fuma dois maços de tabaco por dia, ou seja, 40 cigarros”.
Sim, é verdade, uma criança indonésia com 8 anos que fuma 40 cigarros por dia, e onde é que ela consegue os cigarros? Em casa. O menino fez birra, partiu uma janela porque os pais não lhe deram um cigarro e por a ter partido os pais passam a deixar o menino fumar porque assim ele fica calmo e até são eles próprios que oferecem os cigarros.
Mas isto não fica por aqui, pesquisei sobre este assunto e encontrei outro vídeo:

Difícil de acreditar, não é? São fumados igualmente 40 cigarros por dia, mas por uma criança, também da indonésia, com apenas dois anos. O primeiro cigarro foi-lhe dado pelo pai quando tinha apenas um ano e oito meses.
Por muito que pense não consigo perceber estes pais.
Isto é gostar de um filho?
Ricardo Amorim

segunda-feira, 12 de março de 2012

É mais um para Portugal


Portugal não é só construído de tristezas, apesar de maioritariamente sim. Contudo existem alegrias que escondem algumas dessas tristes notícias que são bombardeadas diariamente, pelo menos eu penso assim e talvez penso desta forma porque ainda não pago impostos.
            O que quero dizer é que mais uma vez fomos reconhecidos no estrageiro, mais precisamente nos E.U.A, onde o filme Sangue do Meu Sangue, escrito e dirigido por João Canijo, recebeu o grande prémio do júri no festival de cinema de Miami. João Canijo volta para Portugal com esta distinção e ainda com uns merecidíssimos cinco mil dólares.

Não somos assim tão maus e muito menos lixo.
Ricardo Amorim

domingo, 4 de março de 2012

praça da canção


CANCAO DE MANUEL NAVEGADOR

Já com o meu povo algumas vezes naufraguei.
Fernão de Magalhães fui dar a volta ao mundo
mil caminhos busquei fui nauta vagabundo
só meu pais não achei.

E tive de meu povo a estranha herança
ser triste na alegria alegre na tristeza
e ter o certo por incerto o incerto por certeza
e com o meu povo desespero e tenho esperança.

Ventos não mais a vossa canção
nem esse espanto de quem já olhou primeiro
sargaços ilhas pedras de Ceilão
não mais ventos: morreu em mim um marinheiro.

e não perguntes mais por mim ó mar
onde já tantas vezes me perdi.
Descobridor faltou-me sempre achar
uma aventura que começa aqui.

Canção do Manuel navegador encontra-se na primeira parte do livro "praça da canção".
Este poema está dividido em duas partes.
Na primeira parte o sujeito poético, Manuel, assume-se como parte do povo português, através do determinante possessivo “meu” povo (v.1) através do naufrago (v.1) metáfora de se perder e de tragédia, alegre na tristeza e triste na alegria (características do fado português) desesperado e esperançoso(v.8) Identifica-se também com o navegador Fernão de Magalhães e como ele deu a volta ao mundo embora não tivesse conseguido achar o mais importante, Portugal, pois no estado em que estava, anulado, perdido, com o salazarismo que já nem se considerava um país.
Na segunda parte o sujeito poético dirige-se aos ventos e ao mar para demonstrar algum desanimo pois nele falharam tanto o marinheiro que já não tem o espanto dos antigos nautas que descobriam primeiro, por exemplo Ceilão (v.11, 12 e 13) como o descobridor a quem faltou sempre achar a aventura mais importante, a liberdade. (v. 15 e 16).
Rita Pereira

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"A Minha Dor" de Florbela Espanca



                                            A você

          A minha Dor é um convento ideal
          Cheio de claustros, sombras, arcarias,
          Aonde a pedra em convulsões sombrias
          Tem linhas dum requinte escultural.
   
   5    Os sinos têm dobres de agonias
          Ao gemer, comovidos, o seu mal…
          E todos têm sons de funeral
          Ao bater horas, no correr dos dias…
         
           A minha Dor é um convento. Há lírios
   10   Dum roxo macerado de martírios,
          Tão belos como nunca os viu alguém!
         
          Nesse triste convento aonde eu moro,
          Noites e dias rezo e grito e choro,
          E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…


         O endereço “a você” pode ser entendido com um desabafo ou uma carta onde exprime a sua tristeza. Neste poema estão presentes símbolos que carregam o ambiente fúnebre e a dor está associada a um convento.
            Começa por descrever a sua dor como um convento (sendo um convento um lugar de solidão, afastado do mundo), mas apesar de sombrio confessa que o convento tem algum “requinte” (v.4).
            Na segunda quadra, Florbela diz que o único barulho que ouve é os sinos que gemem em tons de funeral (v.7). “Ao bater horas, no correr dos dias” Florbela afirma que os sinos tocam todos os dias e cada toque é como fosse um passo para a morte, cada vez está mais perto dela.
            No primeiro terceto, Florbela volta a reforçar a ideia que a sua tristeza é como a de um convento e acha belos os lírios roxos (v.9 e 10) O roxo é considerado uma cor triste, na religião cristã é usada nos ofícios e missas pelos mortos, significa penitência, aflição e melancolia que carateriza bem a personalidade de Florbela onde tudo é sofrimento.
            Na última estrofe confessa que está sozinha e apesar de rezar, gritar, e chorar (v.13), ninguém vem em seu socorro.
            Em todo o poema a palavra “convento” é repetida três vezes (v.1, 9 e 12). Existe aqui uma conotação, o convento é, de facto, o mundo em que vivia onde tudo era dor e que ninguém, apesar dos apelos que fazia, lhe respondia.
            Quando afirma que reza, grita e chora (v.13), estas atitudes podem ser vistas como atitudes de loucura que provavelmente podem levar à morte

Ricardo Amorim